São Paulo, que hoje completa 459 anos, convida-nos a uma reflexão: o que queremos e o que temos feito pela maior e mais rica cidade do país? É preciso lembrar sempre que cuidar da metrópole é cuidar também de seus moradores.
O grande desafio de São Paulo é que ela não é uma, mas muitas cidades. Cidades que se complementam, opõem-se, confundem-se e que fascinam. Seus habitantes vão, aos poucos, traçando, nesta sedutora complexidade urbana, a parte que lhes cabe, a sua cidade, a desejada, a que lhes pertence, a que os acolhe. São travessias interiores de um povo que constrói cidades ocultas dentro de São Paulo, megalópole inesgotável de caminhos e de possibilidades que se cruzam e se interligam, revelando o aqui e o ali que sempre surpreendem. Cidades invisíveis, como as de Italo Calvino. “É uma cidade igual a um sonho: tudo o que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo.”
E, assim, convivem, lado a lado, a cidade tranquila e a caótica. A segura e a violenta. A central e a periférica. A que acelera rumo ao futuro e a que trava nos congestionamentos.
São Paulo vive, sonha, respira e aspira a ser mais humana. Um esforço que cabe a nós, paulistanos, realizar. E isso começa com detalhes que afetam o dia a dia de cada um de nós. Arrumar as calçadas, iluminar as vias, enterrar os fios que confundem a beleza, retirar o lixo das ruas e impedir as depredações são alguns dos desafios que governantes e população devem enfrentar juntos. Cuidar das pessoas, renovar o olhar, revelar o oculto, derrubar muros.
Trata-se de um sonho possível. Que, em 2014, nos 460 anos de São Paulo, possamos celebrar uma cidade mais justa, mais humana e mais feliz, com a satisfação de termos colaborado também. Lembrando Fernando Pessoa, “e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero”. Parabéns, São Paulo!
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
