São 111 páginas, primorosamente ilustradas pelos traços de Graça Lima, que Chalita preenche com personagens sensíveis, inocentes e afetuosos como a Margarida, a Andorinha, os beija-flores, a sábia velha Figueira, entre outros. Todos habitantes de um lugar onde a bondade e a generosidade permeiam o universo mágico criado pelo Artista. “No eino encantado, o Mal não existia.
O Artista não criaria algo que não fosse bom. A harmonia revelava o quanto um precisava do outro. E todos riam muito. O riso foi inventado pelo Artista para que, na diferença, houvesse algo em comum. Todos saberiam rir. Todos seriam felizes”, escreve Chalita, ao introduzir o leitor no Reino Mágico criado por sua imaginação.
São 10 capítulos ao longo dos quais os personagens, habitantes do reino fabuloso, trocam experiências e curiosidades entre si, enquanto apreendem lições sobre como fazer o bem, agir com moderação, escolher com sabedoria, praticar virtudes, viver com justiça, cultivar o amor. Funcionam como etapas a serem seguidas que deverão culminar no grau máximo de aprendizado, quando será possível dominar a arte de ser feliz. “Amigos são como pedras preciosas encontradas em algum lugar. Às vezes em estado bruto. Precisam ser lapidadas”, escreve o autor sobre o valor dos bons amigos. “Se é feliz quem recebe ternura, é muito mais quem não tem medo de oferecê-la”, ensina Chalita, sobre a importância do afeto.
Magistério
Chalita recorre às metáforas para criar narrativas em um território que lhe é caro e familiar: a educação e o magistério. Assim, seja de maneira direta, seja obliquamente, o autor conduz o leitor, jovem ou adulto, a um passeio pelos erros e acertos da vida. O capítulo terceiro, por exemplo, é uma aula de verdade. Nela, a sábia Figueira faz uma conferência sobre a liberdade, a importância das escolhas e a necessidade de respeito mútuo entre alunos e professores, como condição essencial ao aprendizado. Em outra passagem, um personagem bom e inocente, porém curioso e incauto, aventura-se no caminho do Mal. Resultado de uma escolha irresponsável, o personagem chega ao Pântano, terreno onde impera o Nada absoluto e o vazio representa a negação das bondades existentes no Reino Mágico. Neste episódio, todos os animais se mobilizam para salvá-lo. A aventura expressa a força do bem e da solidariedade quando confrontadas com o mal absoluto.
A ética do Rei Menino é uma aula de bons sentimentos. Chalita inventou um reino particular para falar de valores universais, invariavelmente esquecidos, num mundo entregue às disputas pelo poder. É uma fábula encantada para fazer com que crianças aprendam e adultos reaprendam lições essenciais para a vida. A vantagem para os leitores infantis é que o livro vem acompanhado de três CDs, em que o autor transforma-se em narrador oral da própria história, ao som da sensível trilha sonora composta por Guto Graça Mello.
