Alunos, professores, empresários e mórmons deixaram de lado suas atividades rotineiras para trabalharem como jardineiros, pedreiros, eletricistas e pintores ontem, durante mais uma atividade do Programa Mãos que Ajudam, promovido na Escola Estadual Professor Primo Ferreira.
A iniciativa da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, realizada há 10 anos em todo o País no feriado de Tiradentes, reuniu mais de 400 pessoas durante todo o dia na unidade da Vila Belmiro.
A idéia é envolver a comunidade na realização de reparos e melhorias em uma escola pública da região.
‘‘Matriculei minha filha, e quando vi o estado da escola, achei que deveríamos recuperá-la’’, justificou o presidente da Estaca de Santos, Givaldo do Nascimento.
Além dos cerca de 300 mórmons, a escola santista também contou com a ‘‘mão-de-obra’’ de membros do Rotary Club Santos Porto — que custeou todo o material utilizado —, estudantes e professores da escola.
A Prefeitura também colaborou com os trabalhos, disponibilizando funcionários da Terracom para a lavagem do muro, pintado pela última vez em 2000. ‘‘Os alunos é que fariam isso, mas o muro é imenso e foi lavado por dentro e por fora’’, comemorou a diretora-substituta da unidade, Solange Junqueira Franco.
Funcionários do Horto Municipal de Santos realizaram a poda das árvores centenárias que estavam comprometendo o telhado do prédio de dois andares.
Os voluntários deram um novo aspecto à entrada da escola com os cuidados dispensados ao jardim. ‘‘Estava um matagal só, um horror, e eles capinaram tudo’’, disse ela.
Enquanto empresários renomados se sujavam com tintas, outras voluntárias se apressavam no preparo do almoço servido a um verdadeiro exército. ‘‘Isso só foi possível graças às doações feitas por supermercados do bairro e demais comerciantes, além dos próprios moradores’’.
O anfiteatro também foi alvo do mutirão e ganhou uma nova pintura, enquanto as salas de aula que atualmente são ocupadas passaram por revisão da parte elétrica e foram limpas.
Apesar da dedicação da equipe, o último andar da escola permanecerá desativado em função de vazamentos que ocorrem com frequência. ‘‘Temos laboratórios de fazer inveja e que não podem ser utilizados por causa dos problemas no telhado’’, lamentou ela.
Ao final dos serviços, o cansaço era minimizado pela sensação de dever cumprido, evidenciando que cada vez mais a sociedade organizada procura suprir as lacunas da ação do Estado.
‘‘Não adianta nada falarmos em amor ao próximo se não colocarmos isso em prática. Saímos cansados, mas muito felizes’’, confessou o responsável pela igreja.
Para a diretora, muito mais do que a demonstração da solidariedade entre as pessoas, a atividade de ontem serviu para despertar o sentimento de cidadania entre os alunos.
‘‘Nessas horas, a religião é o que menos importa. Nossos estudantes passarão a zelar pelo patrimônio e serão os nossos fiscais’’, completou ela.
