Educação na alimentação

As escolas estaduais de São Paulo receberam, na semana passada, determinação para mudar ou substituir os produtos vendidos em suas cantinas. O objetivo é tornar a alimentação das crianças e adolescentes mais saudável. Na prática, com a nova regra, nada será proibido, mas o que será comercializado deve ter autorização da Associação de Pais e Mestres de cada instituição —pela lei, são essas as entidades responsáveis pela operação ou terceirização das cantinas.

Nutricionistas ouvidas pela Folha Online acharam a medida positiva, mas ressaltaram que mais importante do que mudar a oferta dos alimentos, o jovem precisa entender o porquê da substituição, qual é a importância de comer frutas em vez de fritura, por exemplo.

”Hoje em dia se inverteu o conceito de alimento. Quando se fala em comer verdura ou legume, logo se pensa na baixa caloria, na possibilidade de não engordar. Mas o objetivo da ingestão de frutas não é esse, mas sim o de nutrir o corpo, dar à célula o que ela precisa para funcionar bem. Não é uma questão de muita ou pouca caloria, mas de qualidade de nutrientes”, afirma a nutricionista clínica Denise Madi Carreiro, integrante do Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo (CRN 3).

Segundo ela, o fato de não se proibir a venda de itens como chocolates e balas, mas sim aumentar a oferta de produtos naturais, é um ponto positivo —os únicos produtos cuja comercialização é proibida sob qualquer circunstância dentro das escolas são cigarros, bebidas alcoólicas, remédios e produtos químico-farmacêuticos.

”Não adianta viver alienado. É só pôr o pé para fora da escola para o aluno encontrar todas as porcarias de sempre. O que precisa ser feito é uma educação alimentar. Ensinar que com verduras e legumes, o raciocínio fica mais rápido, o rendimento no futebol melhora, a força para correr aumenta. E isso precisa ocorrer com os alunos e com os pais deles”, diz Denise.

A mesma opinião é compartilhada por Vanderlí Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta ligada à Associação Paulista de Nutricionistas. “Não adiante proibir, porque tudo que é proibido gera uma maior expectativa de consumo e de transgressão. A medida mais eficiente é aliar a maior oferta de alimentos saudáveis à educação alimentar, para que eles mesmos [estudantes] se conscientizem de melhores escolhas”, diz.

Segundo ela, a realidade é que hoje a alimentação das crianças e adolescentes baseia-se em alimentos prontos ou semiprontos, ou seja, massas com molhos enlatados, sopas de pacote, pizzas, hambúrgueres. “Tudo bem comer isso, mas os pais precisam pensar no saldo final. Ingerir mais legumes, verduras e frutas para compensar o que não alimenta bem”, explica Vanderlí.

A partir da qualidade da alimentação desde o período infantil, afirmam Vanderlí e Denise, é possível evitar o aumento das chamadas doenças crônicas, que a cada dia atingem mais pessoas no mundo. “O índice de doenças de excesso de colesterol, pressão alta, hipotiroidismo, obesidade e até artrite reumatóide vem crescendo de forma alarmante entre a população, inclusive entre as crianças. E isso pode ser combatido por meio da educação alimentar”, acredita Denise.

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