Coxinhas, refrigerantes ou batatas fritas industrializadas. Vai ser muito difícil crianças e jovens terem acesso a esses alimentos gordurosos e industrializados nas cantinas escolares da rede estadual. A partir de agora, a recomendação aos concessionários das cantinas escolares é incentivar a oferta de produtos naturais e não-industrializados como forma de ampliar a saúde dos estudantes.
A Secretaria de Estado da Educação foi levada a essa decisão por resultados de uma pesquisa com pais de alunos, professores e funcionários — Associações de Pais e Mestres. O levantamento foi realizado em 2.825 escolas da rede entre os meses de janeiro e fevereiro. A pesquisa servirá para adequar as atividades das cantinas desde a qualidade e manipulação dos produtos oferecidos ao atendimento e limpeza do ambiente de cada espaço escolar.
Os principais problemas identificados na pesquisa foram transformados em reivindicações (veja quadro). A partir delas, a secretaria publicou no último dia 24 uma portaria instituindo normas para o funcionamento das cantinas escolares. A portaria prevê produtos recomendados para consumo e define sanções para quem descumprir as recomendações.
A diretora da Escola Estadual Paulo Filgueiras Júnior, Mônica Ferreira Pinto, acha muito eficaz a portaria e afirma que, antes dela, a unidade já vendia, em sua cantina concessionária, somente salgados assados em substituição a frituras, bebidas lácteas e evitava a venda de balas, gomas de mascar e salgadinhos industrializados em pacotes.
‘‘Os nossos professores de Educação Física e Ciências vão abordar o assunto Nutrição durante as aulas, debatendo valores nutricionais, calorias, também como uma norma da secretaria’’, acrescenta.
Estudante do 4º ano do curso de Nutrição do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) Thiago Pustiglione, que faz estágio na escola, acredita ser muito bom o início da educação alimentar para as crianças. ‘‘Nós vamos dar palestras para os pais, mas achamos mais fácil que comece por elas’’, opina.
Particulares
A venda de alimentos gordurosos, chicletes ou refrigerantes já é uma prática frequente na maioria das escolas particulares. Em novembro de 2002, a Câmara aprovou projeto de lei do então vereador Fausto Figueira (PT) que proibia venda de refrigerantes, guloseimas e salgados fritos nas escolas públicas e privadas de Santos.
A medida está sendo cumprida em duas escolas particulares visitadas por A Tribuna na manhã de ontem.
‘‘Uma nutricionista da escola solicitou que não vendêssemos nem frituras, nem refrigerantes. No começo os alunos reclamaram, mas já se acostumaram. Se eles tomam ou comem algo que não pode aqui dentro é porque trouxeram de casa’’, explica a proprietária de cantina que fica dentro do Liceu Santista, Maria Cristina Silva Menezes.
Os alunos da escola não aprovam muito a medida, mas ao mesmo tempo não têm muita escolha. ‘‘É bom para a minha saúde, mas ruim para a minha vontade’’, diz a estudante de 13 anos Laís Gonçalves, do Liceu Santista. Já João Matheus Freire Cavalcanti da Silva, de 14 anos, que sempre está de regime, afirma que a medida até ajuda. ‘‘Como eu tenho que evitar besteiras é até melhor’’.
Na cantina do Colégio Presidente Kennedy também funciona assim: crianças não consomem guloseimas. ‘‘Os alunos nem mesmo reclamam da ausência de alimentos como esses. É bom que os meninos acabam se acostumando e mudando os hábitos dos pais. Essa cultura precisa mudar aos poucos’’.
As escolas da rede municipal não têm cantinas concessionadas.
Reivindicações da pesquisa
1 – Promoção conjunta da direção da escola, professores e funcionários, de ações educativas e informativas sobre a importância da moderação no consumo de açúcares, gordura e sal.
2 – Estimular a substituição de refrigerantes por sucos, bebidas lácteas (achocolatados, vitaminas de frutas, por exemplo) ou à base de extratos ou fermentados (soja, leite).
3 – Substituição de frituras por salgados e doces assados.
4 – Evitar a venda de balas, gomas de mascar e salgadinhos industrializados em pacotes.
5 – Vender barras menores de chocolate (menos de 30 gramas) e com menos calorias.
