Novas tecnologias na rede

Desde o início deste semestre, mais de 57 mil alunos das 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental da rede estadual paulista contam com uma nova ferramenta para auxiliá-los na aprendizagem: os Programas Trilhas de Letras e Números em Ação. O primeiro destina-se aos estudantes com dificuldades de leitura e escrita, enquanto o segundo é voltado para aprendizagem da Matemática.

O projeto propõe a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação pelos professores e alunos, como apoio ao desenvolvimento de ações voltadas às principais dificuldades existentes em relação as disciplinas de Português e Matemática. E, além disso, auxilia no processo de Inclusão Digital. Por isso, o reforço escolar destes alunos, desde agosto, está se desenvolvendo nas salas ambientes de informática. O projeto é composto pelos aplicativos “Virtus” – Trilha de Letras e Números em Ação para utilização dos alunos. Além dos softwares educacionais, os professores contam com material impresso para a sua formação continuada.

O início das atividades com os jovens destas séries dá-se principalmente por ser esta uma das mais difíceis fases da adaptação escolar, quando o aluno lida com as transformações hormonais, ingressando na adolescência, este fato por si só já é um complicador no processo ensino aprendizagem, somando a alteração de estrutura curricular ocorridas na passagem do ciclo I para o ciclo II.

“Detectamos que alguns alunos chegam ao ciclo II com dificuldades de aprendizagem e precisam de um apoio especial para conseguirem acompanhar esta nova etapa de sua formação. No ciclo I, normalmente eles têm um ou dois professores, e no ciclo II passam a conviver com a fragmentação das disciplinas. O reforço escolar nesta fase vem justamente auxiliá-los a encontrar o equilíbrio nesta nova etapa”, explica a professora Sônia Maria, responsável pela Coordenadoria de Estudos e Normas e Pedagógicas (CENP) da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.

Já a escolha pela utilização das novas Tecnologias no Programa de Reforço Escolar, de acordo com o diretor-executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) – órgão executor da Secretaria – Tirone Chahad, “se deve também ao fato dos alunos se mostrarem mais motivados quando se utiliza a sala de informática, mudando muitas vezes o comportamento para melhor, mostrando-se mais interessados e ativos na própria escola”.

Atualmente, o Trilha de Letras está sendo utilizado por 1.972 turmas de recuperação e reforço, envolvendo 1.174 professores, 17.704 alunos de 5ª série e 13.659 de 6ª. Já o Números em Ação, está sendo trabalhado por 1.643 turmas, envolvendo 1.042 professores, com 14.604 alunos de 5ª série e 11.416 de 6ª série. O reforço acontece fora do horário normal de aula com a média de 5 horas-aula por semana. Em dupla nos computadores, com no máximo 18 alunos por sala, enquanto um está produzindo seu texto o outro está anotando suas observações sobre o ambiente da sala de informática. Quando os dois terminam, um revisa o texto do outro, que depois será entregue à professora.

Deste modo, a integração entre as crianças é grande, o que aumenta a auto-estima deles. “Os Programas foram desenvolvidos para os alunos do Reforço Escolar, mas podem perfeitamente serem utilizados em sala de aula pelos professores de Língua Portuguesa e Matemática, uma vez que os softwares que apoiam as oficinas estão disponíveis em todas as salas de Informática, enquanto os materiais e o apoio à distância ficam em sítios específicos na Internet. Além disso, todos os 89 Núcleos Regionais de Tecnologia Educacional (NRTE´s) distribuídos pelo Estado contam com professores capacitados para desenvolverem os programas”, avisa o diretor executivo da FDE, Tirone Chahad. Em toda a rede estadual de ensino, a Secretaria atende 973.748 mil alunos do Ensino Fundamental. Nas Trilhas das Letras e dos Números em Ação

Para a assistente técnico-pedagógico (atp) da Diretoria Sul 2, a professora de Artes, Eliana Tumolo Dias Leite, os programas estão contribuindo muito para o avanço dos alunos. “O programa é fantástico. Uma criança silabicamente alfabetizada consegue vários avanços. Ela fica mais motivada por estar numa sala ambiente de informática. Para os iniciantes no computador usamos um joguinho (Mário) para que eles aprendam a usar o teclado, que acaba virando um alfabeto móvel facilitando e incentivando o aprendizado”, explica.

Eliana é uma das professoras responsáveis pela capacitação e apoio aos professores na região da Diretoria Sul 2 (que abrange os bairros de Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luís), e diz que o sucesso do Programa é total. “Até o estigma que existia com os alunos do reforço está mudando entre as próprias crianças. Tem aluno que não tem dificuldades, mas agora de tanto ouvir os coleguinhas falarem da aula de reforço querem participar. Está sendo muito gratificante e os professores estão empenhados no projeto”.

A professora de Língua Portuguesa do reforço escolar da Escola Estadual Renata Graziano, situada no bairro do Guarujá (zona sul), Sílvia Regina Jorge Silva, se emociona ao falar sobre os resultados obtidos com o programa. “Tínhamos um aluno bastante problemático em termos de comportamento, que inclusive faz acompanhamento com assistente social de uma instituição, e que foi inserido na turma do reforço do Trilha de Letras. A mudança foi total. Hoje, ele não falta mais as aulas, e falou tanto do nosso trabalho que a assistente social veio conhecer de perto o que o estava ajudando. Fico muito feliz quando vejo o fruto de um trabalho como este”, relata.

O Número em Ação também tem feito sucesso junto a garotada, que aprende com facilidade a resolver problemas e fazer contas. O que antes parecia incompreensível, com os joguinhos pedagógicos e a informática fica muito mais fácil de entender, como comprova o pequeno Renato M. da Silva, 12 anos, estudante da EE Luiz Gonzaga: “Antes eu só tirava 1 na prova de Matemática. Agora já consigo tirar notas azuis. Estou gostando muito destas aulas, aprendendo bastante e melhorando a cada dia”.

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