Nem cerca elétrica, nem segurança de plantão, nem cães de guarda. Foi o Programa Escola da Família que ajudou a derrubar em 16% as ocorrências policiais dentro das escolas. Após um ano de vigência do projeto, as invasões caíram 38%, os arrombamentos e roubos foram reduzidos em 31% e as pichações sofreram queda de 7%.
A estatística, elaborada em São Paulo pela Secretaria da Educação, mostra que a abertura das escolas públicas nos fins de semana atingiu o objetivo de manter os estudantes ocupados e longe da criminalidade, além de inibir vandalismo. Criado em 2003, o programa tem por objetivo abrir as portas das 5.306 escolas estaduais aos finais de semana, oferecendo diversas atividades para a comunidade. “Em Bauru, a queda nas ocorrências policiais pode ser maior. O Programa Escola da Família prevê a realização de ações socioeducativas com o intuito de ampliar os horizontes culturais, atraindo jovens e suas famílias para um espaço voltado à prática da cidadania”, reitera Samir Faht, assistente-técnico pedagógico do programa. Inclui, também, atividades de qualificação para o trabalho e formação de multiplicadores para ações preventivas na área da saúde.
De acordo com Samir, 35 mil pessoas já participaram do projeto nas 79 escolas situadas em Bauru e região, coordenadas pela diretoria regional de ensino.
Uma das participantes é Karina Guilherme Gregório, estudante da 7ª série da Escola Estadual Marta Aparecida Barbosa. “As pessoas viam a escola apenas como um lugar para estudar. Era chato. Agora, nós nos encontramos para fazer outras coisas legais”, comenta a garota, que ensaia coreografias para apresentações de street dance.
Já Maycoll Parrela, que cursa a 7ª série na Escola Estadual João Pedro Fernandes, freqüenta o programa para praticar esportes. “Fiz várias amizades. A turma ficou mais unida”, conta a mãe dele, Miriam Lopes, que dá aula de biscuit.
“Todos os programas que promovem o encontro da comunidade dentro e fora da escola contribuem para a integração social e redução na incidência de ocorrências policiais. Não sei de números (estatísticos), mas principalmente no interior, onde a comunidade é mais próxima, o retorno é imediato”, conclui o comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira. Mais bolsistas – Em função do sucesso obtido pelo programa entre estudantes, professores e comunidades, a Secretaria da Educação está ampliando o número de bolsas para os educadores universitários de 25 mil para 30 mil. Dessas bolsas, 9.476 estão em aberto, sendo 5 mil novas vagas e 4.476 remanescentes da seleção anterior (em função do término de curso dos bolsistas).
A Secretaria da Educação paga 50% da mensalidade, até o limite de R$ 267,00, enquanto a universidade/faculdade parceira cobre o restante. Em contrapartida, o bolsista atua nos finais de semana nas escolas estaduais desenvolvendo atividades e monitorando as oficinas.
As inscrições começaram no dia 3. Os interessados devem acessar o site www.escoladafamilia.sp.gov.br para fazer o cadastro. O prazo termina no dia 16. O resultado da classificação dos candidatos está previsto para o dia 26.
“É muito bom começar um novo ano ampliando o acesso às bolsas de estudos. Isso significa crescimento do programa e mostra quanto ele tem dado certo. As atividades serão retomadas no dia 15 de janeiro e, em fevereiro, o nosso time de educadores universitários estará reforçado com mais estes 5 mil bolsistas”, comemora a coordenadora-executiva do programa, professora Cristina Cordeiro. Para se candidatar a uma das bolsas é necessário ter concluído o ensino médio na rede estadual paulista, estar regularmente matriculado em curso de graduação de instituição privada de ensino superior (conveniada com o programa), não estar recebendo outro benefício para custeio da mensalidade do curso superior, ter interesse e disponibilidade para participar de atividades do programa, totalizando 16 horas para o desenvolvimento das atividades nos fins de semana junto às escolas públicas estaduais.
“Além de oferecermos um espaço de convivência e lazer para a comunidade do entorno escolar, integrando pais, filhos e educadores, estamos criando oportunidade para milhares de jovens continuarem seus estudos dentro da política pública de inclusão social do governo. O sucesso do programa é facilmente comprovado pelos números. Após um ano e quatro meses de funcionamento, o Escola da Família bateu todos os recordes: mais de 82,5 milhões de participações e mais de 4 milhões atividades desenvolvidas até novembro de 2004”, explica o secretário da Educação, professor Gabriel Chalita.
Alfabetização e inclusão – O Programa de Alfabetização e Inclusão (PAI), destinado a todos os jovens e adultos que nunca estudaram ou que ainda não concluíram o ensino fundamental, também faz parte do Escola da Família.
Além de 400 salas de aula de escolas estaduais que serão utilizadas nos fins de semana, o PAI tem parcerias com Sindicatos, ONGs e instituições de ensino superior particulares que oferecem cerca de 1,8 mil classes para a alfabetização.
Criado pela secretaria em julho de 2003, o PAI já alfabetizou cerca de 150 mil pessoas. As inscrições começaram no dia 9. O interessado deve procurar a escola estadual mais próxima, munido de documento de identidade e comprovante de endereço.
Possibilidade de expansão – Reunião realizada no início do mês criou a Comissão Intersecretarial que deve unir forças entre a Secretaria Estadual da Educação e a Secretaria de Educação do Município de São Paulo. Entre os principais objetivos, a comissão pretende ampliar o programa Escola da Família nas escolas municipais e também desenvolver ações conjuntas em projetos de educação para o trabalho e na formação continuada do professor, incluindo o Programa de Inclusão Digital do Estado.
