É preciso cuidar de nossas crianças

Por Gabriel Chalita

Sou educador por opção de vida. É esse ofício que tento executar cioso da enorme responsabilidade de ajudar os aprendizes a serem protagonistas de sua própria história.

A educação é o passaporte para a liberdade. Quando se oferece educação, oferece-se autonomia. Direitos e deveres ficam mais claros. Possibilidades se ampliam.

Não acredito que algumas crianças nasçam inteligentes e outras, burras. O fator principal é oportunidade. Algumas têm; outras não.

Cuidar da criança é uma questão de justiça. É triste ver, na mesma sociedade, algumas crianças estudando em boas escolas, aprendendo idiomas, praticando esportes, enquanto outras não têm o mínimo necessário para o seu desenvolvimento.

Na campanha para prefeito de São Paulo, vi crianças, na periferia, brincando nas lajes. E vi crianças brincando em clubes dotados de todo tipo de equipamento esportivo. Vi crianças com fluência em inglês e em espanhol e crianças com dificuldades em português. Repito: não é uma questão de inteligência, mas sim de oportunidade. 

Outra grande preocupação refere-se às drogas. Estamos perdendo nossas crianças. Elas não nascem com propensão à violência ou à drogadição; apenas não são cuidadas, não são educadas corretamente.

Toda política de combate à violência, além dos aspectos de inteligência policial e de organização da cidade, precisa se preocupar com a prevenção, com a geração que estamos construindo, com as cidades do amanhã, com o Brasil do amanhã.

Fiquei impressionado com a ação de institutos de cultura que desenvolvem talentos e preparam para o futuro.

Fui conhecer o Instituto Baccarelli, na comunidade de Heliópolis. Com as canções daquelas crianças e jovens, uma melodia especial enchia a sala de ensaios. Uma melodia de esperança. Ali, no contraturno da escola, as crianças estudam um instrumento, convivem com a cultura, desenvolvem talentos, aprendem a se respeitar e a perceber que nasceram para grandes feitos.

É preciso um trabalho e um esforço conjuntos das famílias, dos governos e da sociedade civil para que nenhuma criança seja privada do desenvolvimento de seus talentos. O futuro agradece.

Fonte: Diário de S.Paulo

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