Por Gabriel Chalita
Na obra-prima “Os Sertões”, Euclides da Cunha presenteou-nos com uma frase que entrou para a história: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Parafraseando o autor, podemos dizer, com convicção, que também “o educador é, antes de tudo, um forte”. Agente fundamental no processo de formação de gerações, o professor merece, em sua homenagem, a data de hoje. Mas a valorização desse profissional deve ser um exercício diário, que corresponda à complexidade e à nobreza de seu ofício.
Em muitos aspectos, o magistério assemelha-se à geração da vida, à formação e ao desenvolvimento de novos seres. Como as mães e os pais, os mestres orientam, aconselham, ensinam e regam, todos os dias, dezenas de sementes. Sua função é fazer com que as sementes cresçam, floresçam e deem frutos capazes de alimentar os novos tempos com sua beleza multicor e vibrante.
Os educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes, mesmo que não germinem no tempo certo… Mesmo que pareçam frágeis frente às intempéries… Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas. O espírito de um mestre nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis como desafios a serem vencidos.
E uma vez superados esses desafios… como é indescritível o resultado de ver transformada uma planta frágil em uma árvore frondosa! É quando se percebe que cada minuto empregado nessa empreitada vale por uma vida e nos dá a certeza de que é imprescindível continuar exercendo esse ofício gratificante e incomparável.
Para isso, há que se cultivar com os alunos uma relação de troca, em que haja o compartilhar e o aprendizado mútuo. Há que se conquistar o aluno pela paixão com que se leciona esta ou aquela disciplina. É preciso conquistá-lo pelos gestos que fazem o dia a dia da sala de aula.
Gestos singelos que demandam dos professores a visão e a clareza de que têm em mãos as crianças e os jovens que darão continuidade ao processo natural de ocupação deste planeta. Cabe aos educadores dedicar-se ao máximo para que essa juventude seja partidária do progresso com responsabilidade, do exercício da cidadania plena, da política fundamentada no trabalho em prol do bem para a coletividade, do altruísmo, do respeito às diferenças de cor, de credo e de classe social, do diálogo franco e aberto em vez da intolerância, da busca de soluções e de alternativas que viabilizem a cultura da paz…
Contribuir para um novo mundo exige, tão-somente, o amor, a paciência e o respeito pelo aprendiz. Significa começar a olhar os alunos diretamente nos olhos. Olhar com ternura, com apoio, com segurança e com credibilidade.
Acreditamos nisso e ressaltamos a necessidade de os educadores terem de enxergar sempre além. Educar é preparar para a vida, e isso exige o empenho, a dedicação e o trabalho ininterruptos da família, da escola e da sociedade. E a escola deve ser o centro de luz que irradia a energia necessária para que essa educação ocorra da melhor forma possível, em todos os níveis e em todas as esferas sociais.
Temos certeza de que os educadores compactuam com esses ideais e lutam diariamente para colocá-los em prática. Muitos enfrentam, bravamente, jornadas cansativas e rotinas estafantes. Muitos abrem mão de seu lazer para preparar aulas mais interessantes e sedutoras. Muitos têm de conciliar seus horários e suas agendas de forma quase hercúlea, deslocando-se por grandes distâncias e enfrentando o trânsito caótico das metrópoles. Muitos dormem tarde e acordam cedo na esperança de que seu trabalho possa propiciar um mundo melhor.
Em razão de tantos fatores, nada mais justo que dedicarmos esta data a milhões de professores brasileiros, fortes na prática de seu ofício, hábeis na condução de seus aprendizes. Também se faz necessário reconhecer o trabalho e a dedicação desses profissionais dia após dia. Afinal, é na relação cotidiana que o educador ajuda a construir, com dignidade, uma sociedade mais justa e cidadã.
