Um filme para aprender

Por Gabriel Chalita

Quem é esta mulher? É o que o belíssimo filme de Sérgio Rezende tenta responder. Quem é esta mulher? Em tempos de valores tão desprezados, em que os exemplos que deveriam nortear as pessoas se escondem em interesses egóicos; em tempos de desilusão, surge uma mulher, sua lembrança, sua história. E é por isso que a sétima arte, além de entreter, emocionar, também ensina.

Quem é esta mulher, mineira de nascimento, carioca de história, que abriu caminho para o mercado da moda brasileira nos Estados Unidos destacando a identidade de seu povo? Zuzu Angel, além de outras qualidades, é uma mulher que teve coragem, competência e amor. O filme resgata a consciência de que, apesar de todos os problemas de um regime democrático, a ditadura nunca valerá a pena. Stuart Angel foi um entre tantos que tiveram o sonho prematuramente destruído pela insensibilidade e pelo uso inadequado do poder. Que os jovens de hoje aprendam com a história e abominem qualquer possibilidade de destituição de direitos individuais ou coletivos. No filme, é Chico Buarque quem se encarrega do fecho de ouro, com sua frase político-poética: “amanhã vai ser outro dia…” Hoje é um outro dia graças a Zuzu, a Chico, artistas, intelectuais, políticos, educadores, mulheres e homens que lutaram e lutam pela liberdade. Hildegard demorou 30 anos para autorizar o filme. Queria uma história real, sensível. Conseguiu. À emoção soma-se a certeza de que é possível construir um presente melhor com as lições aprendidas no passado. Quem é essa mulher, Zuzu Angel? Uma mulher que transcende épocas, pois entendeu o seu papel na história.

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