O cinema é uma escola

Por Gabriel Chalita

Há muito está superada a tese de que a educação é um tema restrito aos meios acadêmicos e ao cotidiano escolar. Da mesma forma, já não temos dúvidas quando discorremos sobre a educação como um processo contínuo, uma via de mão dupla que propicia o vaivém necessário à construção do ensino-aprendizagem. Nesse contexto, é essencial perceber que o mundo é uma escola exemplar por sua diversidade, excesso de cores, aromas, sabores e sensações.

Cabe a nós desenvolver a sensibilidade para decodificar esse panorama composto por símbolos, linhas e entrelinhas que dão sentido pleno ao texto da vida. A observação atenta das manifestações artísticas constitui uma maneira eficaz de apreender esses códigos . Quando apreciamos arte, mesmo sem nos dar conta, estamos exercitando razão e emoção, binômio responsável pela expansão da consciência em torno do universal e do particular, do outro como extensão de nós mesmos. Há um filme nacional atualmente em cartaz que corrobora essa afirmação porque lança luz sobre temas como amor, verdade, juventude, amadurecimento, solidão, solidariedade, sonhos, paixões – ingredientes que compõem parte importante da existência humana. Trata-se de Cazuza, o tempo não pára , de Sandra Werneck. O filme traz à tona a vida explosiva e poética do jovem Agenor de Miranda Araújo Neto , o Cazuza, rebelde encantador capaz de traduzir o mundo em canções repletas de som e de fúria. Esse desejo de criar, de quebrar paradigmas e de romper estruturas arcaicas alçou o jovem músico à posição de ícone de uma geração que não teve medo de buscar o prazer, o excesso. A partida física de Cazuza não impediu que ele permanecesse conosco por meio de suas composições poéticas e por suas letras marcadas por críticas contundentes à sociedade consumista. O menino Agenor provou a todos que o tempo não pára e que o mundo é realmente um moinho… O grande moinho de Cartola, de Cazuza, de Cervantes e de todos os grandes poetas. Um filme tão surpreendente quanto a própria vida. Filme que educa de maneira envolvente e sedutora, como deveria ser o ensino em todas as escolas do mundo. Que o cinema e as demais formas de arte continuem nos enchendo de esperança, sonhos e lições capazes de nos auxiliar no longo caminho da vida – essa jornada singular que une ficção e realidade, aventura e responsabilidade.

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