Por Gabriel Chalita
São Paulo. 450 anos. Pintura paradoxal que reflete o moderno e o tradicional em linhas complexas, amplas, pungentes. Linhas traçadas por mais de dez milhões de artistas que habitam esta metrópole e desenham, juntos, uma das paisagens mais fascinantes e dinâmicas do planeta. Não é exagero dizer que a “terra da garoa” dá frutos singulares, uma gente que, por sua vez, tem em suas raízes ingredientes diversos que provêm do caldeirão miscigenado que compõe o Brasil.
São Paulo é, na verdade, um grande coração. Supermãe cujos braços abertos se estendem para quantos filhos desejarem vir. Nesta metrópole, diferentemente do que acontece em outras grandes cidades do mundo, é possível conviver com pessoas das mais variadas origens, religiões, raças e classes sociais. Aqui não há guerras nem disputas ideológicas sangrentas. Existe – verdade seja dita – a desigualdade social… Mas, há, sobretudo, a esperança, o trabalho e a dedicação de milhões de pessoas que lutam para reverter esse quadro, numa batalha cotidiana pela igualdade, pelo compartilhar das tantas riquezas que fazem de São Paulo a locomotiva veloz que conduz o desenvolvimento nacional, desde há muito tempo. Já no século XIX, a história da maioria dos paulistas foi iniciada pelas linhas sinuosas e belas do Porto de Santos – onde desembarcaram milhares de italianos, árabes, japoneses, alemães e tantos povos que vieram juntar-se aos portugueses na busca de uma nova terra prometida. Terra descrita como fantástica, dadivosa, repleta de oportunidades. Os imigrantes subiram a Serra do Mar movidos pelo impulso do sonho e do trabalho abundante capaz de concretizar os projetos e os ideais desses viajantes que descortinavam novos horizontes. E São Paulo acolheu a todos, sem distinção. O resultado dessa recepção fraterna e calorosa está na extrema riqueza cultural advinda dessa mistura forte, temperada, privilegiada que produziu um povo criativo, corajoso, apto a construir, empreender, transformar. Esta cidade reflete, em essência, o que é o Brasil. Somente São Paulo, com sua extensão territorial gigantesca, é capaz de sintetizar esse País original, místico, sincrético. Quebra-cabeças que abriga peças provenientes dos mais variados rincões. Trata-se de uma metrópole que pulsa, vibra e se mantém desperta. É a efervescência que se antecipou ao século XXI. São Paulo não pára. Não dorme. Não reconhece a apatia, a falta de estímulo. Pelo contrário, é uma eterna festa de cores, sons, sabores, imagens. Cenas que encantam, seduzem, instigam e também transtornam e surpreendem, às vezes, negativamente… Mas essa é apenas uma parte do seu todo formidável. Devemos agradecer a oportunidade de fazer parte dessa lenda urbana que une doses maciças de caos e de ordem, de singeleza e de luxo, de simplicidade e sofisticação. Nesse sentido, neste aniversário histórico, que todos possamos olhar à nossa volta e enxergar os contornos concretos dessa obra que constantemente se renova e que já indica novos e melhores tempos. Por tudo isso: parabéns São Paulo. Parabéns Brasil! Gabriel Chalita Secretário de Estado da Educação
