Li a reportagem sobre a reabertura do Hopi Hari. Fiquei feliz em saber que há espaço para matérias sobre parques e sobre brinquedos.

Longe de mim achar que temos de fechar os olhos para as graves crises que nos assolam. Precisamos de informações corretas e de opiniões edificantes. Precisamos de consciência política e de atitude corajosa frente aos erros tantos que maculam a imagem do nosso pais e a esperança que vive acanhada dentro de nós. Mas precisamos, também, de parques e de brinquedos. Precisamos de alegria. A alegria é um bom combustível para a inteligência. A criatividade que brota nas brincadeiras se estende nas várias formas de convivência e de solução de problemas.

Parques de diversão são um convite ao estar junto, ao rir, ao sentir e vencer o medo, ao se emocionar. É bonito de se ver os olhos ávidos de crianças que se lançam em cada atração. E de adultos que se permitem revisitar os melhores sentimentos da criança.

Já fui a muitos parques de diversão. Alguns pequenos, na minha cidade do interior. Ficava vendo a montagem do parque que funcionaria apenas durante a trezena de Santo Antônio, o Santo Padroeiro da cidade. E brincava o quanto podia. E, depois, via tudo sendo desmontado. A alegria partia um pouco e um pouco permanecia. Afinal, temos o humano poder da lembrança.

Menino ainda, fui a excursões nos parques de diversão em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os dois, aliás, Playcenter e Tivoli Parque da Lagoa, já não existem mais. Mas me lembro das façanhas, dos medos, do correr cúmplice na chegada aos brinquedos, dos lanches, da ansiedade na ida e do cansaço da volta - éramos promessa, o tempo ainda não nos mostrava a sua face, a sua pressa.

Era um almoço em um dia comum. Dias comuns se sucedem e nos surpreendem quando permitimos. Sentei-me em uma cadeira confortável junto a uma mesa com alimentos preparados com muito cuidado.

Eles gostam de cuidar. Gostam de receber amigos. Gostam de palavras que unem. Estão unidos há 40 anos.

Carlos teve uma indisposição no dia anterior. Comeu alguns doces que não lhe caíram bem. Tomou algum medicamento e sentou-se para almoçar algo leve.

Beth sabia disso. Beth sabe de tudo o que se passa com o seu amor. Trabalham juntos. Sonham juntos. Vivem juntos uma juventude que desafia o tempo. Ah, eram muito jovens quando se viram pela primeira vez. Nem imaginavam o quanto seriam capazes de construir.

Carlos coloca pouca comida em seu prato. Beth presta atenção. Insiste que coma um pouco mais, mas que prefira o que é mais saudável. Para que melhore. Para que fique bem o quanto antes. Carlos parece estar distraído com a conversa. Ela insiste. Eles se olham. E foi aí que nasceu este artigo. Os olhares se cruzam, olhares de amor. Um amor que cuida, que se preocupa, que compreende que a vida de um e de outro ganha mais significado por estarem juntos.

Conheço outros casais assim. É difícil imaginar um sem o outro. Os tempos das labaredas da paixão dão lugar a uma brisa gostosa do amor. Do amor que respeita. Do amor que compreende. Do amor que se doa.

Há muitos que tiram as férias em julho. E saem em viagem. Viajam, alguns, para outros países. Viajam, outros, para cidades litorâneas ou montanhas ou casa de parentes. Há os que preferem viajar para o interior, para viver o sossego de dias calmos. Interior? Essa é uma viagem necessária.

Há que se ter coragem e sabedoria para tirar férias. Férias não são apenas interrupções de trabalho ou de estudo. Há os que não conseguem deixar de trabalhar. Conta uma antiga história que um carteiro trabalhava arduamente entregando cartas. A quem o perguntasse se era bom o que fazia, a resposta era decisiva. "É muito penoso. Entrego cartas, enfrento cães ferozes, endereços errados, portões enferrujados. Decididamente, é um árduo trabalho". Foi quando alguém resolveu amenizar. "É, mas pelo menos você tem as férias". O carteiro foi ainda mais incisivo. "Nossa, eu trabalho esperando as férias". O interlocutor quis saber. "E o que você faz, então, nas férias?". O carteiro pensou um pouco e optou pela sinceridade. "Bem, como eu não sei muito o que fazer, eu acabo acompanhando o meu substituto, fazendo companhia para ele, entregando cartas".

Reinventar os dias não é tão simples. Há tantos que sonham com a liberdade. Que se encontram trancafiados em relações não saudáveis. Mas, quando chega a tal liberdade, frustram-se na ausência de conflitos. Há os que se aposentam e adoecem. Mas não buscavam isso? Não queriam mais tempo para si mesmo e para os seus? O que houve, então? Faltou uma viagem ao interior. Férias reais.

Viajar pelo nosso interior é o que nos limpa de tantas sujeiras que vamos acumulando pelo excesso da falta de tempo. Estranho, não? Percorremos tecnologias e confortos para que tivéssemos mais tempo. O que aconteceu? Viajamos por redes tecnológicas, por mensagens de conhecidos ou estranhos, por assuntos variados, lambuzamo-nos de informações, algumas decididamente mentirosas. E, mesmo assim, passamo-las adiante. E o que melhorou?

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