Dia 25, São Paulo completou 463 anos. Paulo foi o apóstolo que, antes, foi Saulo. Como Saulo, perseguiu os cristãos. Como Paulo, explicou o amor. O amor é paciente. Busca a justiça. A verdade. O amor não exclui ninguém. Paulo foi o apóstolo que levou a mensagem de Cristo aos outros povos, para mostrar que também eles poderiam compreender a beleza da sua mensagem.

A cidade de São Paulo ainda tem um grande desafio. Não excluir ninguém. Fazer com que a cidade das oportunidades seja a cidade das oportunidades para todos. Não é justo que uma criança dos Jardins tenha uma formação educacional de qualidade, que aprenda outros idiomas, que pratique esporte, que respire cultura, e uma criança do Jardim Ângela esteja excluída de todos esses benefícios na mesma cidade. Não é justo que um jovem da Vila Nova Conceição tenha um mercado de trabalho aberto, porque estudou em excelentes escolas, teve experiências internacionais, e um jovem de São Miguel Paulista não possa ter essas condições na mesma cidade. Não é justo que uma mulher no Morumbi consiga um tratamento de excelência na área da saúde, em alguns dos mel hores hospitais do mundo, e que uma outra mulher, que mora ali perto, em Paraisópolis, fique tanto tempo esperando para aliviar sua dor. A melhoria de uma cidade não é obra de uma pessoa, apenas. Há muitos que já contribuíram para que São Paulo melhorasse. Pessoas de bem que na área pública ou privada, que no trabalho voluntário ou nas ações de suas organizações, souberam compreender que a cidade tem que ser para todos. Não se pode esquecer, ainda, dos que mais sofrem violência. Dos pobres. Dos negros. Dos jovens. Dos que vivem distante das proteções tantas que foram criadas na cidade. Basta ver os túmulos do cemitério no Jardim São Luiz. Data de nascimento. Data de falecimento. Jovens. Vidas que tiveram o amanhã roubado.

Era uma criança, apenas. Disse-me, com autoridade, que fará 4 anos. Brevemente.

Estávamos em uma igreja. Missa dominical. Ela, no meu colo. Foi quando ela soltou: "Onde está Deus?"

Eu a abracei forte. Carinhosamente.

Antes da resposta, ela prosseguiu: "Deus está ali. Os homens malvados fizeram isso com ele". Ela me mostrou uma cruz. E Cristo pregado na cruz.

Eu quis saber quem havia dito isso a ela. Ela disse que o pai explicou e que foi além. Quando os homens são maus, eles continuam pregando Deus na cruz. E prosseguiu me dizendo que agora eu já sabia, já que ela havia me explicado onde estava Deus.

Eu apenas sorri e a abracei. E disse baixinho: "Se, quando os homens são maus, eles continuam pregando o Filho de Deus na cruz, quando eles abraçam - assim como nós -, eles tiram o Filho Dele da cruz".

"Então vamos ficar sempre abraçados", ela disse, sem demora. E emendou: "O que mais faz com que Ele fique feliz"?

"O que você acha, já que você que me explicou onde Ele está?"

Apresentador de televisão comete crime ao usar palavras ofensivas contra uma mulher. É demitido. Desta vez. E as outras? E as irresponsabilidades que são ditas por apresentadores que entram na casa das pessoas? E as inverdades? Há uma busca enlouquecida por audiência. E há uma crença de que quanto mais se exibem tragédias mais pessoas ficam presas ao aparelho de TV. Tragédias precisam ser mostradas. Com responsabilidade. Sem exageros. Expor as pessoas é uma forma pouco ética de se apresentar programas ou fazer jornalismo.

Os jornalismos televisivos eram mais cuidadosos. Hoje, além do claro comprometimento ideológico de um ou de outro lado, há o pouco caso com a vida do outro, com a biografia do outro. Coloca-se no ar e depois se confere se é verdade ou não. Respeito com a vida do outro? Imagine! Essa palavra e esse valor andam em desuso. No âmbito da política, é preciso que se mostre o malfeito, a corrupção, a demagogia. Mas com cuidado. Como se coloca todo mundo no mesmo balaio, o resultado é que muitas pessoas que poderiam estar na vida pública, que dariam uma grande contribuição ao país, preferem ficar de fora. Temem a imprensa. Não por fazerem algo de errado. Mas pelos erros que a imprensa comete. Erros que ficam marcados na alma de quem age com seriedade. Generalizações são sempre injustas. Da mesma forma que não se pode colocar todos os políticos no mesmo balaio, também não se pode fazer isso com jornalistas. Há muitos jornalistas sérios, que não se deixam levar pelo "furo" fácil, pelo dito sem compromisso com a verdade, pelo cuidado essencial de quem tem nas mãos um grande poder: o poder de edificar com a verdade ou de destruir com as tantas formas de corrupção.

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