A Casa Branca terá uma nova família.

O casal Obama e suas filhas se despedem da residência oficial de quem preside os EUA.

Chegaram há não muito tempo. O tempo passa soberano. Depois de eleito e antes da posse, Obama fez algumas incursões em alguns países para levar a bandeira que gostaria de ver tremulando nos mastros do mundo. Em uma dessas viagens, falou aos alemães usando uma metáfora que serviria como marca de sua administração. O mundo precisa de pontes, não de muros.

Há muito a se dizer sobre a gestão Obama. Há os que o criticam. Há os que o reconhecem como um grande estadista. Mas vamos aos gestos que ficam desse homem que ousou enfrentar os preconceitos e entrar para a história.

Nos dias finais de Casa Branca, a família Obama serviu os funcionários que durante 8 anos os serviram. Gesto simples de gratidão. Gesto nobre de mostrar que, apesar de desempenharmos papéis diferentes, temos todos a mesma importância. Gesto afetuoso de quem enxerga o outro. De quem sabe seus nomes. De quem interpreta os seus sonhos.

Há sempre, em períodos de verão, uma preocupação maior com possíveis surtos que podem surgir e fazer mal à população.Campanhas tentam impedir, por exemplo, a proliferação do mosquito que gera a dengue, a zika, e a chikungunya. O surto ocorre quando há um aumento repentino do número de casos de uma doença. Apesar do significado da palavra surto não remeter, necessariamente, a algo negativo, costuma-se empregá-la para definir um excesso de fúria, um momento de inlucidez, uma crise. Lembra-me o escritor Machado de Assis, em sua fina ironia, que nos diverte, em sua obra “O alienista”, ao narrar um momento em que o protagonista, o médico Simão Bacamarte, tem um surt o surpreendente e resolve que os honestos e os justos eram também loucos e deveriam ser internados no hospício! Surpreendente e insensato como os surtos parecem ser.

Era uma cidade do interior. No interior, é comum as pessoas se conhecerem. Há menos gente. Menos famílias. É comum, inclusive, a pergunta: "Você é filho de quem?". Nas cidades grandes, dificilmente alguém se arvorará nesse diapasão.

Era uma cidade do interior. No interior das pessoas, sempre há sonhos. E isso é bom.

Foi com um desses sonhos que um homem entrou em um salão de cabeleireiro e foi logo mostrando uma foto. E dizendo sem o menor constrangimento: "Quero que o meu cabelo fique assim". E deu continuidade ao desejo, "Aliás, quero ficar assim. Igual a esse homem da foto".

O dono do salão, com a tesoura e o pente na mão, parou o corte que estava fazendo e, gentilmente, pediu a ele que aguardasse. Que já conversariam. O do sonho disse que aguardaria se ele garantisse que ficaria igual ao homem da foto. O dono olhou novamente para a foto e para o jovem e pediu, mais uma vez, que conversassem depois, que estava terminando um corte de cabelo. O jovem, um pouco menos paciente, disse que se não recebesse a resposta imediatamente iria ao concorrente daquele salão.

Era uma cidade pequena do interior. Dois salões apenas disputavam a clientela. O homem que estava tendo o seu cabelo cortado cochichou com o cabeleireiro, "Diga que vai ficar igualzinho". O cabeleireiro, filho de uma professora conhecida na cidade, um homem reconhecidamente correto, titubeou em dizer o que não acreditava.

O homem que estava tendo o seu cabelo cortado continuou o cochicho, "É melhor você dizer o que ele quer ouvir, não apenas para não perder o cliente, mas para não deixá-lo chateado". O cabeleireiro, com a tesoura na mão - o pente, ele já havia deixado na mesinha -, ficou ainda mais reflexivo. "Mentir, iludir, para não deixar alguém chateado"- falou consigo mesmo.

O jovem não entendeu a demora: "Vamos, trata-se de uma pergunta objetiva. Você me deixa com a cara dele ou não?". "Claro que deixa. Ele faz coisas impossíveis. Pode sentar-se aí e esperar. Você vai ficar igualzinho ao galã da foto". O cabeleireiro, que era de pouca prosa, pensava com ele mesmo, "Só posso fazer o possível".

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