Era um grupo de crianças conversando sobre a tal festa junina. Sabiam, inclusive, o que era quermesse. Um explicou sobre a trezena de Santo Antônio. E porque era ele o santo casamenteiro. O outro disse de São João e ainda houve quem falasse de São Pedro. E falaram dos doces e das danças. E dos enfeites. Foi quando surgiu a conversa sobre as bandeiras.

Bandeirinhas enfeitam as festas juninas e outras festas. Trazem uma certa alegria. Uma dança de cores que nos convida a olhar para o alto onde elas se encontram. Olhar para o alto é sempre bom. Retira-nos do chão. Relembra-nos a imensidão do céu.

Iam se reunir em um determinado dia para arrumar as bandeirinhas. Foi quando um dos meninos surgiu com uma ideia inusitada. Por que não intercalar, entre as bandeirinhas coloridas, algumas bandeiras com algumas palavras para melhorar o mundo?

Uma menina, com expressão de sabida, concordou e explicou como deveriam fazer. Alguns estavam atentos; outros, nem tanto. Mas o fato é que, naquelas crianças, havia algum sopro novo em tempos quentes, mesmo no inverno.

Crianças não vivem anestesiadas em tempos de dor. Sofrem, também. Sofrem com o sofrimento dos pais. Estão inseridas na sociedade. Crescendo de acordo com o que veem e sentem. Sorvem pequenas ou grandes doses de violência. Simbólica ou real. Apanham, nas ruas, espinhos cortantes. Estão ainda destreinadas, desprevenidas. Não entendem os porquês. Será que os adultos entendem?

O fato é que aquelas crianças iam além das danças, das quadrilhas, dos casamentos festivos. Queriam bandeiras. Bandeiras que melhorassem o mundo. Bandeiras são símbolos de uma causa, de um caminhar comum, de uma identidade. Seja a bandeira de uma nação, seja a bandeira da paz. O que queremos ver tremular nos amanhãs?

Era um grupo de crianças conversando sobre a tal festa junina. Sabiam, inclusive, o que era quermesse. Um explicou sobre a trezena de Santo Antônio. E porque era ele o santo casamenteiro. O outro disse de São João e ainda houve quem falasse de São Pedro. E falaram dos doces e das danças. E dos enfeites. Foi quando surgiu a conversa sobre as bandeiras.

Bandeirinhas enfeitam as festas juninas e outras festas. Trazem uma certa alegria. Uma dança de cores que nos convida a olhar para o alto onde elas se encontram. Olhar para o alto é sempre bom. Retira-nos do chão. Relembra-nos a imensidão do céu.

Iam se reunir em um determinado dia para arrumar as bandeirinhas. Foi quando um dos meninos surgiu com uma ideia inusitada. Por que não intercalar, entre as bandeirinhas coloridas, algumas bandeiras com algumas palavras para melhorar o mundo?

Uma menina, com expressão de sabida, concordou e explicou como deveriam fazer. Alguns estavam atentos; outros, nem tanto. Mas o fato é que, naquelas crianças, havia algum sopro novo em tempos quentes, mesmo no inverno.

Crianças não vivem anestesiadas em tempos de dor. Sofrem, também. Sofrem com o sofrimento dos pais. Estão inseridas na sociedade. Crescendo de acordo com o que veem e sentem. Sorvem pequenas ou grandes doses de violência. Simbólica ou real. Apanham, nas ruas, espinhos cortantes. Estão ainda destreinadas, desprevenidas. Não entendem os porquês. Será que os adultos entendem?

O fato é que aquelas crianças iam além das danças, das quadrilhas, dos casamentos festivos. Queriam bandeiras. Bandeiras que melhorassem o mundo. Bandeiras são símbolos de uma causa, de um caminhar comum, de uma identidade. Seja a bandeira de uma nação, seja a bandeira da paz. O que queremos ver tremular nos amanhãs?

Era um velório. Um velório de um jovem. De um jovem negro. Numa região pobre de uma grande cidade.

O mapa da violência no Brasil é estarrecedor. Desperdiçamos vidas. O número de mortos é superior a regiões de guerra. Entre 2011 e 2015, a sangrenta batalha na Síria levou 256.124 vidas. No Brasil, no mesmo período, a sangrenta batalha do dia a dia levou 278.839 vidas. 1 pessoa é assassinada no Brasil a cada 9 minutos. São 160 mortos por dia.

Era o velório do filho de Aurora. Aurora é um lindo nome. Significa amanhecer. Mas o amanhecer daquele dia foi doloroso. Tão doloroso quanto o amanhecer de tantas mães que veem seus filhos prematuramente partindo.

Aurora é professora. Paulo era o seu único filho. Aurora teve uma vida sofrida. Não conheceu o pai. A mãe, entre bebidas e lucidez, criou-a com algum cuidado. Com o que conseguiu. Ela teve garra. Ousou enfrentar o destino e se destinou a uma vida melhor. Estudou com afinco. Mulher, negra, pobre, a salvação estava no livro. Decidiu ela. Formou-se professora. Professa todos os dias a crença de que há de salvar, do fim antecipado, os seus alunos. Entristece-se quando vai ao cemitério do seu bairro. Quando lê nas lápides dos túmulos a data de nascimento e a de falecimento dos que ali foram deixados. Jovens.

Aurora sempre teve a consciência de que não se combate violência com violência. Mas com inteligência. Não acredita em fórmulas mágicas, em promessas de políticos inconsistentes. Acredita no trabalho. E no amor. É com amor que ela vai todos os dias para a sua escola e olha para aqueles moços cheios de certeza de que ela pode fazer a diferença em suas vidas.

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