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Discurso de posse de Gabriel Chalita, novo secretário municipal de Educação de São Paulo

Paulo Freire, que já ocupou a pasta que, honrosamente, hoje, assumo, fez uma opção clara pela vida. Mormente pela vida dos esquecidos, dos injustiçados, dos invisíveis. A educação era, para ele, a arma mais significativa para significar as relações, para diminuir o fosso vergonhoso que separa os que têm dos que não têm oportunidades.

Educação. Estamos aqui para reverenciar essa política pública que é a base para as demais. Estamos aqui para centrar nossas convicções na construção de um processo educativo que não exclua ninguém.

Peço licença para valer-me da semântica de três palavras que me conferem voz para expressar o que sinto neste dia.

A primeira palavra é gratidão. Gratidão a Deus, Autor da Vida. Vida que se embala em paradoxos, em face da liberdade humana. Bondade e perversidade, verdade e mentira, indiferença e compaixão.

Gratidão à minha família, berço que lapidou o meu caráter. Minha mãe me ensinou a ser correto e meu pai me mostrou um amor sem economias.

Gratidão aos meus professores, que semearam em mim o desejo de ser professor por toda a vida.

Gratidão ao governador Franco Montoro, que, um dia, me viu falando em uma Igreja em Bananal, cidade do interior paulista, e me abriu as janelas das possibilidades.

Gratidão ao governador Geraldo Alckmin, que me deu a oportunidade de ser o seu secretário de Educação. Tenho a convicção de que fizemos um grande trabalho. Foi uma gestão da qual muito me orgulho. Na época, o instituto Datafolha indicou que a área mais bem avaliada do governo Alckmin era a educação.  

Gratidão ao PMDB, o meu carinho e respeito ao presidente Michel Temer e aos vereadores do meu partido: Calvo, George, Nelo e Ricardo. Meu partido que me deu a oportunidade de ser candidato a prefeito desta gigante cidade. De conhecer mais de perto as veias abertas da dor e os pulmões de energia da maior e mais importante cidade da América Latina.

Gratidão aos meus escritores amados da Academia Paulista de Letras, que acabaram de me eleger seu presidente. Lygia Fagundes Telles, a menina Lygia de tantas personagens e enredos, o príncipe dos poetas Paulo Bomfim, o pensador da ética José Renato Nalini, permitam-me, em seus nomes, expressar o quanto sou grato, eu, o caçula daquela casa, aprendendo a compreender o tempo e o seu senhorio.

Gratidão ao prefeito Fernando Haddad. Prezado prefeito, que honra ser o seu secretário, que honra trabalhar sob o seu comando. Nós nos conhecemos quando o senhor era secretário-executivo do MEC e eu, presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação. Trabalhamos juntos. E o fruto está aí. O Fundeb ampliou o conceito da educação que não exclui ninguém.

Quantas discussões fizemos sobre a importância da educação de 0 a 3 anos, etapa primeira e imprescindível na construção de princípios fundamentais ao ser humano: autonomia, cooperação, solidariedade, respeito à adversidade. A educação de jovens, de jovens e adultos. A educação especial. A educação indígena. As várias formas de acesso ao ensino superior. O senhor, Excelência, marcou a história no Ministério da Educação de nosso país. Hoje, estamos aqui. Juntos. E eu lhe sou grato. Sua gestão é moderna, honesta e corajosa. Honra-me compor, humildemente, o quadro dos seus auxiliares.

A segunda palavra é respeito. A palavra respeito, de origem latina, significa "olhar outra vez". Algo que merece um segundo olhar é digno de respeito. Olhos de ver porque atentos e porque comprometidos com quem se vê. Respeito as crianças que estão nas escolas e as que ainda não estão. Em minha gestão, tivemos a mais baixa taxa de evasão escolar da história.

No ensino fundamental, passamos de 2.9% para 1.6%, sendo que nas séries iniciais chegamos a 0.4%. Índices impressionantes para uma rede da complexidade do Estado de São Paulo. No Ensino Médio, passamos de 8.3% para 5.6%. Melhoramos em todos os índices de qualidade: Saresp e Ideb. No ano de 2007, que mediu o ano de 2006, o último em que estive na secretaria, cumprimos as metas do Ideb. Construímos 500 escolas em tempo integral e um projeto inovador, o “Escola da Família", atendendo milhões de pessoas que iam às escolas conviver e aprender nos finais de semana. Esse programa, premiado pela ONU, reduziu em até 80% o índice de violência escolar. Criamos o “Bolsa-mestrado” para os professores, o “Caminho das Artes” levando cinema, teatro e música para o cotidiano de professores e alunos.

Respeito o trabalho correto e competente do secretário Cesar Callegari e de toda a sua equipe. Lamentei muito, secretário, ao ver o que fizeram na rede estadual com os programas que vinham melhorando a educação no nosso estado. Não farei isso. Respeito o seu trabalho e o de sua equipe. Vamos continuar e vamos avançar. Quando a presidenta Dilma fala em "pátria educadora", ela reconhece a importância do tema e o quanto ainda é preciso fazer para melhorar a nossa educação.

Prezado prefeito, gostaria de dizer ao senhor que vamos resolver o problema de vagas nas nossas creches para que nenhuma criança fique esquecida. Sei o quanto já foi feito e o quanto precisamos fazer. Mas sei dos entraves burocráticos. O que posso prometer é que não descansarei enquanto uma criança estiver desassistida. Cuidar e educar é um binômio indissociável na construção da identidade humana.

Respeito as mães que trabalham, os pais que querem o melhor para os seus filhos e é por isso que temos de perseguir a melhoria da qualidade do ensino. É inadmissível convivermos com realidades educacionais em que crianças vão para a escola e não aprendem. Se a cultura da repetência em exagero era danosa, a cultura dos que passam de ano sem nada saber também o é. Ambas excluem os alunos. Uma escola acolhedora deve cumprir o seu papel constitucional de formar a pessoa, de prepará-la para a vida, para o exercício da cidadania e para o mercado de trabalho.    

As escolas precisam ser um centro gerador de uma cultura de paz no seu entorno.

A terceira palavra é generosidade. Peço licença, professor Haddad, para render as minhas homenagens aos nossos irmãos de ofício, os professores. Tenho profundo respeito pelo magistério. Tive a honra de presidir a Comissão de Educação da Câmara Federal na época em que elaboramos o Plano Nacional de Educação. Avançamos muito nos direitos e na importância de quem todos os dias professa a crença na pessoa humana e comunga a generosa convicção de que podemos dar aos nossos alunos o passaporte da autonomia, da vida digna, feliz.

Aos professores, coloco-me como parceiro disposto a aprender e a ensinar, disposto ao diálogo constante. Precisamos de vocês. São Paulo precisa dos seus professores para educar com excelência os seus alunos. Meu respeito aos professores, àqueles que, no chão da escola, conhecem os problemas e os caminhos para melhorar nossa educação.

A arte de educar requer generosidade. Partilhamos o que somos e o que acumulamos com as experiências que a vida nos proporcionou.

Gratidão, respeito, generosidade. Confesso que, como gosto das palavras, gostaria de falar um pouco mais. Mas deixemos que o nosso trabalho diário, convicto da oportunidade e da responsabilidade que assumimos, fale por nós.

“São Paulo, comoção da minha vida”, dizia Mário de Andrade. A cidade que nos amedronta e nos apaixona. Não. Não somos medrosos. Se fôssemos, não estaríamos aqui. Apaixonados, sim. É o que nos move.

Obrigado.

Por: Gabriel Chalita (fonte: assessoria de imprensa) | Data: 15/01/2015

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